sexta-feira, 9 de março de 2012

Ás da leitura

Durante as últimas semanas realizámos o concurso de leitura expressiva "ÁS DA LEITURA", promovido pela Rede de Bibliotecas Escolares do Concelho de Loulé.

Os textos escolhidos para cada ano foram os seguintes:

1.º ano
Papelito, papelão
Papelito,  lito,  lito,
Papelito,  lito,  lão.
Papelito,  lito,  lito,
Papelito,  papelão.

Lolita, lita, lita,
Lolita, lita, lão.
Lolita, lita, lita,
Papoila,  lata,  latão.

Papelito,  lito,  lito,
Papelito,  lito,  lão.
Como  é  bom  ser  pequenito
E  ter  bom  coração.
2.º ano

Silka

Numa daquelas casinhas, ali em baixo na praia, vivia Silka com os pais e os dois irmãos. Era uma rapariga tão linda que, pela manhã, quando saía de casa, o céu e o mar se doiravam de satisfação e os vizinhos assomavam à janela para a verem, pois diz-se por estas bandas que “encher, pela manhã, os olhos de beleza é começar o dia com uma festa.”
Os pais tinham grande vaidade na filha. Além de ser bonita, trabalhava com o afinco da formiga e cantava com a doçura do rouxinol. Diziam eles que só um príncipe ou um rapaz famoso da cidade seriam dignos dela e que não consentiriam nunca que ela casasse com um dos pobretões da aldeia. Silka não ligava a tais conversas. Despreocupada, trabalhava, cantava melodias alegres, banhava-se na água do mar e estendia-se ao sol.
Ilse Losa, Silka
3.º ano

Trem de ferro

 

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virgem Maria que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força

Muita força
Muita força


Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa manada
Passa galho
Da figueira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!

Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede


Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

Manuel Bandeira (adaptado)


4.º ano

Sábios como Camelos
de José Eduardo Agualusa

Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir - nome dado naquela época aos chefes dos governos - que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para caminhar em ordem alfabética. O primeiro camelo chamava-se Aba, o segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo.
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguiu imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias?


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